14 de jul de 2009

Prelúdio (Parte II) – Conhecendo os Filhotes

Os filhotes entreolharam-se. Quem, afinal, deveria tomar a frente? Eram todos tão inexperientes. O receio durou alguns segundos. Sob o olhar encorajador do líder do caern, finalmente, um dos pequenos dá um passo à frente.. Um lobo de pelagem clara, de um tom amarronzado, com adornos de madeira ao longo de toda sua orelha e um largo colar de duas ou três penas de águia em seu pescoço:

- Sou Uivo-dos-Ventos. Pertenço ao povo dos lobos, da tribo do Irmão-Mais-Novo. Sou aquele responsável por contar as histórias já existentes de nosso povo, além das futuras.

Chaleira Preta responde com uma expressão satisfeita. Afinal, como um Uktena, sente-se seguro por ter um representante de sua tribo-irmã presente. Uivo-dos-Ventos volta à sua antiga posição, aguardando a próxima apresentação.

O próximo chama a atenção por estar em sua forma guerreira, Crinos. Sua pele era seca, caracterizada pela completa ausência de pêlos. Os anciões já sabiam o que isso significava: um cruzamento proibido entre Lobisomens, um Impuro. Alguns pesados passo à frente, cabeça baixa:

- John Doe. Sou um Philodox, guardião das tradições. Pertenço aos Roedores de Ossos e, er, bem, sou um Impuro...

Um silêncio geral toma conta da Assembléia. Há olhares de reprovação por parte de quase todos os membros. Os cochichos começam. Falam sobre sua raça, sua origem, sua vida entre o lixo repugnante dos arredores dos fortes. Chaleira Preta permanece sério. Toda sabedoria adquirida até o momento não o permite participar das intrigas, muito menos subjugá-lo. Perante a indiferença do líder, os cochichos cessam. Chaleira Preta faz um movimento com a cabeça, agradecendo. Envergonhado, John Doe volta ao seu lugar.

Um homem com belos e vivos cabelos ruivos, pele branca e olhos claros aproxima-se. Seus olhos transbordam a fúria contida em seu coração. Veste roupas simples: um casaco bege sob uma camisa branca suja e uma calça surrada preta. Com um sorriso sarcástico de canto, ele inicia:

- Me chamo Garth e nasci sob a Lua Cheia. Sou, portanto, a mais feroz arma contra a Wyrm: um guerreiro de Gaia. Venho de um povoado humano irlandês, e os Fianna são a minha tribo.

Chaleira Preta balança a cabeça em tom de aprovação. Garth, satisfeito, recua. Falta agora apenas um filhote. Ele revela-se em passo curtos, cuidadosos. Sua forma parece ser envolta por um aura de puro mistério. Surge um lobo magro e de cor negra, de olhar enigmático. A Assembléia não mais sente-se à vontade. Maus presságios parecem ser inerentes ao pequeno. Sua simples presença causa um leve arrepio – leve, porém assustador – e uma ponta de insegurança.

- Batizaram-me Zareb. Venho das distantes terras egípcias e vivia entre a comunidade lupina. Sou um Peregrino Silencioso, orientado pela Lua Nova.

Da mesma forma silenciosa e cuidadosa do avanço, ele retorna. O líder da Seita, satisfeito com a apresentação de todos os jovens, ergue a voz:

- Obrigado, meus pequenos. Agora que todos já os conhecem e têm memorizados os seus nomes, irei explicar um pouco mais sobre a perigosa missão do Rito de Passagem de vocês.

Ele hesita por alguns instantes. Uma lágrima corre do canto de seu olho esquerdo, discreta, silenciosa, porém repleta de amargura.

4 comentários:

Rangel disse...

Muito bom, mas espero ver o meu sorriso malicioso para o dançarino xD.
e CLARO minha bela apresentação diante do caer. Bela não ÉPICA! =P

Rangel disse...

*caern

Linaia disse...

que divertidoo!

Anderson disse...

o texto é sobre o seu jogo?

Narro lobisomem a uns 10 anos se quiser trocar uma ideia entra em contato^^

anderson_oxs@hotmail.com