28 de jul de 2009

Parte I - A Floresta

Desconforto. A primeira viagem através da Ponte da Lua geralmente não é agradável – estranha demais para tal. Após alguns segundos, os filhotes chegam ao seu destino. O portal desaparece. Agora eles estão sozinhos, desamparados, no centro de uma alta e cerrada floresta de pinheiros. É fevereiro, 5ºF, lua crescente – quase cheia. Os flocos de neve caem em quantidades exorbitantes, porém dotados de uma suavidade sobrenatural, e há uma leve brisa, contribuindo para a maior sensação de frio. A matilha encontra-se dispersa, apesar de a trilha ser larga o suficiente para andarem lado a lado.

John Doe assume sua forma humana. Vestido em farrapos, não demora a sentir o frio congelando seu ossos durante sua caminhada, dada sua ausência de pêlos. Garth apenas seguia em frente, mesmo sem saber para onde deveria ir. Zareb, em sua forma natural, permanece atrás, atento a todos os movimentos na floresta. Uivo-dos-Ventos segue ao lado de Garth, seus sentidos mais aguçados do que nunca.

Caminham os pequenos por alguns minutos, completamente sem rumo. Subitamente, Garth pára, vira-se e encara os companheiros:

- Para onde vamos? – resmunga. Só vejo pinheiros, pinheiros e muita neve. Alguém pode indicar uma direção?

- Indicar, eu não sei – disse John, baixinho – o que posso fazer é nos manter aquecidos por algum tempo.

- O peladinho tem razão. É melhor esperarmos o espírito do grande Wendigo acalmar-se antes de prosserguimos. – concorda Uivo-dos-Ventos.

Zareb pára com seus companheiros, sem proferir uma palavra.

John procura por alguns gravetos. Amontoa-os e ajoelha, estendendo sua mão. Dela saem chamas, as quais iniciam a combustão da madeira. Os outros sentam-se à volta do fogo, discutindo qual rumo tomar. Afinal, parecem estar caminhando há pelo menos uma hora sem encontrar nada.

John, agora acomodado frente ao fogo, toma um gole de seu forte whisky vagabundo. As velhas tradições dos Fianna impedem Garth de negar um gole. Os outros dois preferem não beber.

De repente, uivos soam de todas as direções. Uivos horríveis, pavorosos, agoniados. Um calafrio percorre a espinha dos membros da matilha. Instantaneamente, os quatros filhotes põem-se em pé e começam a recuar. Seus olhos estão inundados de medo… do medo mais selvagem e primordial possível. A cada uivo, um passo é dado para trás. Uivo-dos-Ventos concentra-se, imergindo em si mesmo e superando o medo avassalador que o dominava. Ele levanta a cabeça e sussurra:

- Concentrem-se, concentrem-se… vocês irão conseguir…

Os pequenos executam a sugestão do companheiro: respiram profundamente, pensam em si e em sua missão. A força de vontade de cada um os recompensa. Eles estão prontos para enfrentar qualquer perigo eminente, independentemente do que venha a ser.

Olhos verdes tóxicos e venenosos os cercam. Quatro pares deles, mais exatamente. Uivo-dos-Ventos dá um passo à frente e uiva o mais alto possível, inspirando coragem ao seus amigos durante o combate. Cada um dos pequenos deixam-se tomar pela fúria guardada em seus corações… Um sentimento tão irradiante e selvagem que os leva a aumentar de tamanho, assumindo sua forma guerreira. Agora, os quatro têm mais ou menos três metros de altura. Seus dentes e garras estão afiados como navalhas – desejosos de rasgar a carne do inimigo – e finalmente preparados para lutar por Gaia.

3 comentários:

Rangel disse...

esta ficando cada vez melhor, espero o resto logo =]

Raphael O Lord disse...

Nossa demaiso seu blog, adorei!
Tbm sou fan de lobisomens. mas tenho que dizer que sou mais vampiro! Rsrsrs...
Tbm ja sou um seguidor seu, espero que possamos ler muito, e trocar muitas informçaoes e ideias!

Abraços

Flavio disse...

Bem legal seu blog, a ideia é muito boa. Vou acompanhar sua história sempre que puder.