15 de ago de 2009

Boa noite a todos.

Gostaria de pedir desculpas devido a minha ausência aqui. Podem ter certeza que não foi proposital. ;)
Adicionei ao perfil do blog algumas informações sobre essa crônica, ainda sem nome...
Publiquei na pasta do 4shared o Wild West Companion. Aos interessados, sintam-se à vontade!

Link direto: WILD WEST COMPANION

Que Gaia esteja com vocês, caros leitores...

Parte IV - Forte Bent

O Wendigo solta um tímido sorriso em resposta ao comentário de Garth.

O Lua-Cheia, satisfeito, assume sua forma lupina, a fim de acompanhar os amigos. Dando alguns passos à frente, ele pronuncia:

- Bem, já perdemos tempo demais por aqui. Ainda temos uma perigosa missão a ser resolvida. – ele avança em passos longos e apressados – Vamos!

Zareb e Uivo-dos-Ventos o seguem, acelerando os passos para conseguirem alcançá-lo. John Doe é deixado para trás, ficando próximo da fogueira onde Garth foi posto para descansar. Apesar de suas chamas trêmulas enfraquecerem a cada segundo, John achou mais seguro apagá-la, evitando assim futuros acidentes naquele lugar tão belo.

Ao acabar de enterrar os gravetos com a branca e macia neve, o Meia-Lua põe-se a seguir os companheiros de matilha. Porém, a floresta parecia mais perigosa agora. Sua única fonte de luz fora apagada. Os pinheiros pareciam mais altos, já que agora andava sobre as quatro patas e a pálida Luna tinha seu brilho ocultado devido à altura das árvores. A brisa começara a soprar mais forte... sua proteção natural, os pêlos, eram inexistentes devido ao cruzamento proibido entre seus pais.

- É... me fazem falta esses malditos pêlos! – pensava John, quase congelando. Suas patas já não suportavam mais o frio e seus passos tornaram-se cada vez mais vagarosos.

John Doe pára de súbito. Percebe estranhos movimentos na floresta à sua volta. Consegue ouvir o farfalhar intenso dos pinheiros localizados às margens da trilha. Tenta correr o mais rápido que pôde, porém é impedido pelo frio congelante da noite. Está praticamente paralisado. É aí que algo semelhante a uma língua, coberta de baba gosmenta e repulsiva, o agarra pelas patas traseiras. Covardemente arrastado e praticamente indefeso, John bate inúmeras vezes sua cabeça nos troncos sólidos dos pinheiros durante o trajeto. No entanto, um dos encontrões fora extremamente violento, desacordando o Roedor de imediato.

Garth, Zareb e Uivo-dos-Ventos continuam seguindo reto. Após alguns minutos de corrida, a trilha antes cerrada e intimidadora parece abrir-se aos poucos, possibilitando uma visão estonteante de Luna. À frente, é revelada pouco a pouco a silhueta de um enorme forte. Sua estrutura era inteiramente de adobe, o que lhe proporcionava uma coloração levemente avermelhada. Os muros eram muitos altos e lisos. Haviam pequenas janelas devidamente ordenadas acima do imenso portão de madeira da entrada e, nas duas extremidades, existiam guaritas. A da esquerda era visivelmente maior. No meio delas, havia um cômodo extenso, porém bem mais baixo em relação às guaritas, dentro do qual era possível perceber fracas luzes, possivelmente de velas. Um pedaço de pano pintado era ostentado por um mastro no alto do forte. Era um símbolo um tanto quanto estranho. Listras vermelhas e brancas alternadas com um quadrado azul situado no canto superior esquerdo, o qual era recheado de estrelas brancas. Diziam os brancos que esse era um símbolo de Progresso. Será?

Os três lobos voltam alguns passos, mais silenciosos do que nunca. Aconchegam-se entre os pinheiros, na tentativa de perceber algo suspeito. Provavelmente, era esse o lugar indicado por Chaleira Preta. Agora, todo cuidado era muito, muito pouco.

Orelhas em pé, olhos arregalados, faro aguçado.

Nada.

Por mais dez minutos, persistiram.

E nada, novamente.

Garth sussurrou o mais suavemente possível para Uivo-dos-Ventos, com medo de despertar atenção indesejada:

- Acho melhor contornamos a construção. Discretamente, é claro. Andaremos rente ao muro, certo?

- Certo. Mas... – Uivo-dos-Ventos baixa calmamente as orelhas e seus olhos inundam-se de preocupação - ... onde está o peladinho? Ele afastou-se de nós. Foi apagar os restos da fogueira, mas já deveria ter nos alcançado! É melhor voltarmos!

Garth, com uma risada abafada, disse:

- Nah, ele já deve estar voltando. Não esquenta! O frio deve ter atrasado ele. Deve ser uma merda ser um lobo pelado, ainda mais aqui, assim, em meio à neve. Se bem que, esquentar, logo você, guerreiro gelado... é difícil.

O Wendigo mostra-se incomodado com o comentário do amigo.

- Ah, qual é. Brincadeirinha, relaxa! – disse Garth, numa tentativa envergonhada de desculpar-se.

- Esqueça. Vamos contornar logo esse forte. Não vejo a hora de encontrar aqueles malditos wasichu* corrompidos e arracar-lhes o pescoço! – animou-se o Galliard.

Uivo-dos-Ventos faz um movimento indicativo com a cabeça, indo em direção aos muros do forte, seguido por Zareb e Garth. Quando estão próximos ao muro, algo cai de súbito sobre o jovem Peregrino. Uma língua verde, murcha e repleta de feridas enrosca-se no tronco do Lua-Nova. Num desespero, ele geme alto. Garth e Uivo-dos-Ventos tentam morder a coisa repugnante. Em vão. Zareb é arrastado muro acima até a abertura da guarita esquerda, de onde partiu o ataque. O Lua-Cheia e o Lua-Crescente arranham em vão as lisas paredes, na tentativa de fazer uma escalada. Suas patas deslizam. Zareb já desapareceu na escuridão da guarita. Furiosos, os dois lobos assumem sua forma guerreira, detonando ferozmente o portão de madeira que guardava a entrada. Afinal, sejam lá o que fossem as aberrações do lado de dentro, já haviam percebido a presença dos filhotes.

* wasichu: homens brancos.

4 comentários:

Rangel disse...

bela narrativa, mas espero ansioso pela proxima parte!
ps: quero meu sorriso =P

Túlio d Bard disse...

os Impuros sempre discriminados...
Tá ficando muito boa a história!

The End disse...

Ja tem muitos fazendo isso, nao me sinto adicionando nada, ai peguei um assunto que muitos que eu conheço ja nao entendem tanto e que eu gosto muito.^^

The End disse...

Atendendo a seu pedido fiz um comentario sobre RPG rs